“QUAL O PRIMEIRO DIA DA MORTE DE UM HOMEM?”
Olá leitores,
Há quanto tempo não lhes escrevo, não é? Pois é, a minha incursão no mundo da leitura sofreu algumas ressacas e tsunamis, mas a minha paixão por ler e escrever permanece segura...
No último fim de semana fui presenteada com uma obra de Domingos Oliveira, autor até então desconhecido por mim. O título – Antônio: o primeiro dia da morte de um homem – logo me chamou a atenção. Entretanto, a sinopse nos engana... sim, sutil engano se ao iniciar a leitura você desejar que esse romance narre as aventuras de um sessentão, seus amores e amigos após a separação de um casamento que durou eternos 18 anos.
Qual o primeiro dia da morte de um homem? Alguns podem dizer que é o próprio dia em que se nasce, outros que algumas pessoas são simplesmente assassinadas pela morte, há ainda aqueles que digam que alguns já nascem mortos, mas no caso de Antônio, sua morte se dê quando este parar de se apaixonar!
A dupla narrativa imposta pelo autor nos confunde e acolhe de forma paradoxal, ora temos a história do amor de Antônio e Blue contada pelo personagem, ora por um narrador extremamente onisciente. Os personagens brotam de maneira homeopática, seus encontros justificam suas escolhas e numa verdadeira rede do destino temos:
1. Breve romance de Antônio e Blue, seus 18 anos e separação;
2. Os desejos ocultos de Blue e sua relação com o esnobe Esteban e Rosas;
3. A relação sexual e apaixonante de Antônio com duas lésbicas em quatro dias num quarto;
4. O padre-reitor e sua auto-descoberta;
5. O jornaleiro Cavalcanti...
E a vida pintada com nuances de Nelson Rodrigues, Platão e Bauman. Um romance intrigante sobre as desventuras de amar, simplesmente amar e sofrer de amor, e principalmente a de viver apesar da dor dilacerante de um amor perdido no tempo...
Lido em: Janeiro de 2018
Título: Antônio: o primeiro dia da morte de um homem
Autora: Domingos Oliveira
Editora: Record
Gênero: Literatura Brasileira
Ano: 2015
Páginas: 176

















